quinta-feira, 15 de março de 2012

Luiz Fernando Veríssimo: Não é mais pecado



Via Estadão 
Na sua Divina Comédia Dante coloca os sodomitas, os blasfemadores e os usurários no mesmo círculo do Inferno. As práticas das três categorias eram igualmente antinaturais. A Igreja condenava a usura e só absolvia os usurários arrependidos se eles devolvessem todo o lucro obtido com juros, que não era fruto do trabalho e portanto contra as leis de Deus. Aos usurários renitentes era negado enterro cristão. Já os blasfemadores e sodomitas não podiam esperar nenhuma remissão: iam direto para o Inferno. Pelo menos para o Inferno do Dante.
Nos 7 séculos desde a Divina Comédia, aos poucos e cada uma por sua vez, as três classes se livraram da danação que as estigmatizava. Relações homossexuais hoje são aceitas sem muito escândalo. Blasfemadores não precisam mais temer as fogueiras da Inquisição, ou qualquer coisa parecida, por negarem a religião. E os usurários mandam no mundo.
Pode-se, com alguma imaginação, comparar a regulação dos bancos que existia até pouco tempo com o controle que a Igreja tentava manter sobre a atividade financeira no fim da Idade Média, e a desregulação dos bancos que deu na crise que vivemos agora com a conclusão da Igreja que estava perdendo grandes negócios, combatendo a usura, e sua decisão de aderir. Os banqueiros passaram de excomungados a abençoados, e pelo século 18 a própria Igreja já era um dos maiores manipuladores financeiros do planeta. No caso dos bancos modernos, liberados para fazerem qualquer negócio pelo lucro imediato, inclusive destruir economias inteiras, a mensagem da desregulação foi a mesma que a Igreja deu aos usurários séculos atrás: não é mais pecado, gente!
Seria possível especular sobre quem Dante colocaria hoje no mesmo nicho, no sétimo circulo do Inferno? Nada parece muito antinatural, ultimamente. Bom, talvez a pizza com abacaxi. Mas nem isto merece ser jogado no fogo eterno.
Além-túmulo. Leitores perguntam se enlouqueci. Há uma semana escrevi que o fato da revolução comunista acontecer na Rússia, onde ninguém esperava, assustara até o Marx. Como Marx morreu em 1883 e a revolução foi em 1917 (ou 1905, a se contar a primeira tentativa fracassada) o susto era improvável. Pensei que tivesse ficado subentendido que Marx se surpreendera no além-túmulo, mas nem todos subentenderam. Resta imaginar onde fica o além-túmulo do Marx. No céu ou no inferno? Há controvérsias.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Touro Sentado

Tatanka Iyotake, mais conhecido como o Touro Sentado, foi um importante chefe índio norte-americano, da tribo dos sioux hunkpapa. Viveu entre os anos de 1834 e 1890. 

Touro Sentado foi um jovem precoce, caçando e guerreando desde pequeno: Aos dez havia matado seu primeiro búfalo. Ainda adolescente, foi introduzido nas poderosas sociedades guerreiras “Guerreiro do Coração Forte” e “Devorador Silencioso”. Tornou-se um guerreiro temido e perigoso, a despeito de seu coxear devido a um ferimento de bala que sofreu quando criança, Touro Sentado era um nome temido entre os Lakota, liderando ainda jovem seu povo em numerosas vitórias contra oturas tribos.
Touro Sentado teve uma visão profética: Um oficial militar americano caindo dos céus em uma vila Sioux, sonho interpretado como uma derrota americana. E não muito tempo depois dessa visão, o general americano George Custer e sua sétima cavalaria lançaram um ataque a uma vila nativa, mas foram dizimados por forças unidas dos Sioux e Cheyenne.
Rapidamente a fúria dos americanos voltou-se para Touro Sentado e seu povo, e foram forçados a fugir para o Canadá, aonde apesar da recepção digna de um grande líder, não conseguiram viver por muito tempo, devido à escassez de recursos. 
Os sioux venceram a batalha, mas não a guerra. Menos de um mês depois de Little Bighorn, como punição pela morte do general Custer, o general Sherman recebeu ordens do congresso para confiscar todas as terras indígenas. Nuvem Vermelha foi obrigado a assinar um acordo entregando as sagradas Colinas Negras, de certa forma, a pátria da nação sioux. A partir daí, eles viveriam confinados em uma pequena reserva ao sul. Touro Sentado e Cavalo Louco fugiram das tropas do governo durante um ano. Em 8 de maio de 1877, Cavalo Louco entregou-se. Preso no Forte Robinson, no Estado de Nebraska, acabou assassinado por um soldado em 5 de setembro daquele mesmo ano. Em 1881 Touro sentado liderou seu povo de volta aos Estados Unidos, com um acordo de ser recebido pacificamente e ter recursos mínimos. Após seu retorno aos EUA, Touro Sentado e alguns de seus seguidores juntaram-se ao “Show do oeste selvagem de Buffalo Bill Cody”. Uma grande amizade se desenvolveu entre Cody e o chefe, ainda mais considerando que tinham melhores condições de vida do que em uma 
reserva. Embora Buffalo Bill tenha tentado intermediar uma solução pacífica, não conseguiu impedir o assassinato de Touro Sentado por parte da polícia, em 1890, O incidente inspirou o livro “Enterrem meu coração na curva do rio” ficando marcado na história americana.

Touro Sentado sempre foi meu ídolo desde a infância, meu brinquedo preferido era o forte apache, que nunca ganhei é claro, juntava idinhos que vinham na embalagem do TODDY para formar a tribo, que nas brincadeiras sempre era vitoriosa.
Após ter lido o livro então, fiquei apaixonado pelo personagem, forte, destemido e sábio. Sinto uma certa inveja deste líder americano, porque não termos um páreo nos nossos índios brasileiros, ou se tivemos, ele não ficou na história. O espírito de Touro Sentado era tão nobre, que mesmo depois de ter sido humilhado pelos americanos e ter que trabalhar em circo, acho que podemos chamar assim do espetáculo de bufalo bill, ele não perdeu a altivez - veja na foto acima. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

o homem nu

...com coração partido 
segue o homem pelo caminho do mar,
com os olhos molhados ele 
equilibra no vento triste.
Tragar a luz ...
Doces são os lampejos, lembranças dos dias.
Retoma a direção, mergulha, 
 encharca de sal,
limpa a alma, refresca a dor.
Quantas vezes for preciso irá  negar de amar. 
Negar até que o peito abrase e
descanse no pensamento. 
Sobre viver.
Viver.  
Vi.
Ver.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Governo que Vetou a Cidadania LGBT

  1. CAPÍTULO I: O VERGONHOSO CANCELAMENTO DO PROGRAMA “ESCOLA SEM HOMOFOBIA”  Dilma Rousseff asseverou que ao governo não é dado fazer “promoção de opções sexuais (sic)”. E a demonstração de despreparo da presidente foi mais além: quando questionada acerca dos elementos de que não gostou dos vídeos que integravam o programa, ela se limitou a dizer que “só assistiu a alguns trechos dos mesmos, pela imprensa”.
  2. CAPÍTULO II: A OMISSÃO DO PODER EXECUTIVO NA DISCUSSÃO EM TORNO DA CRIMINALIZAÇÃO DA HOMOFOBIA É verdade que já sabíamos desde as eleições presidenciais que seria assim. Afinal, Dilma, enquanto candidata, assinou um vergonhoso “termo de compromisso” com os homofóbicos fundamentalistas,comprometendo-se a não enviar ao Congresso qualquer proposta de regulamentação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e, no tocante ao projeto de lei ora mencionado, de vetar “as partes do PLC 122 que violassem a Constituição”.
  3. CAPÍTULO 3: O VETO AO VÍDEO DESTINADO A COMBATER A AIDS DENTRE OS JOVENS HOMOSSEXUAIS  o vídeo foi retirado do site do MS. Horas depois, o Deputado-Pastor Marcos Feliciano (PSC/SP), comemorava a retirada do vídeo no Twitter com os seguintes dizeres: “Pressão Nossa: Ministério da Saúde manda tirar do site vídeo com cena homossexual”.
Por fim, é preciso que a Militância LGBT e que cada cidadão homossexual deste país entendam de uma vez por todas as verdades que este governo não quer assumir:
1 – O governo de Dilma Rousseff é homofóbico porque nega, esconde e não explicita o caráter natural e positivo da homossexualidade;
2 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque cumpre a agenda preconceituosa dos fundamentalistas que desejam manter os LGBT’s sob o odioso estigma de cidadãos de segunda classe;
3 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque permite a evasão escolar de crianças e adolescentes LGBT’s.;
4 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque é criminosamente omisso no debate em torno da criminalização da homofobia, tanto que “nunca antes na história desse país” morreram tantos LGBT’s e a homofobia foi disseminada com tanta liberdade;
5 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque, ao ajudar a disseminação de termos como “opção sexual” , fomenta a já insuportável ignorância da maioria da população em torno da orientação sexual e da identidade de gênero. E, como é cediço, à ignorância é a força-motriz de toda e qualquer forma de preconceito;
6 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque tenta comprar a militância, em vez de levar em consideração as necessidades da população LGBT brasileira e promover as políticas de direitos humanos que deveriam ser destinadas aos homossexuais.
7 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque se nega a ouvir a militância real, ao passo que já se reuniu inúmeras vezes com a “Bancada dos Fundamentalistas”
8 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque é chefiado por uma cidadã arrogante e prepotente que, sem ter o menor conhecimento do assunto, reduziu a discussão acerca da sexualidade a uma mera questão de “costumes”, menosprezando os alertas emitidos por especialistas que compõem o seu próprio governo. Nesse diapasão, vale mencionar a máxima proferida pelo Ex-Ministro da Defesa do governo Dilma, Nelson Jobim, ao relatar o desempenho de sua Ex-Chefe: “os idiotas perderam a modéstia”.
9 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque resolveu transformar medidas preventivas de saúde em prol de jovens gays em tópicos político-partidários em uma asquerosa mesa de negociação os fundamentalistas, sem se importar com os nefastos efeitos que tal irresponsabilidade poderá gerar em um breve espaço de tempo;
10 – O governo Dilma Rousseff é homofóbico porque, pelo exposto acima, VETOU A CIDADANIA LGBT.
Leia mais  http://www.eleicoeshoje.com.br/governo-vetou-cidadania-lgbt/#axzz1ksp9ItaR 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Alguns traços de personalidade das pessoas portadoras de Alzheimer

Segundo  Dr.Américo Marques Canhoto, médico especialista, Nasceu em Castelo de Mação, Santarém, Portugal. Médico da família desde 1978. Atualmente, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto -SP
a) Costumam ser muito focadas em si mesmas.
b) Vivem em função das suas necessidades e das pessoas com as quais criam um processo de co-dependência e até de simbiose.
c) Seus objetivos de vida são limitados (em se tratando de evolução).
d) São de poucos amigos.
e) Gostam de viver isoladas.
f) Não ousam mudar.
g) Conservadoras até o limite.
h) Sua dieta é sempre a mesma.
i) Criam para si uma rotina de 'ratinho de laboratório'.
j) São muito metódicas.
k) Costumam apresentar pensamentos circulares e idéias repetitivas bem antes da doença se caracterizar.
l) Cultivam manias e desenvolvem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)com freqüência.
m) Teimosas, desconfiadas, não gostam de pensar.
n) Leitura os enfastia.
o) Não são chegadas em ajudar o próximo.
p) Avessas á prática de atividades físicas.
q) Facilmente entram em depressão.
r) Agressivas contidas.
s) Lidam mal com as frustrações que sempre tentam camuflar.
t) Não se engajam.
u) Apresentam distúrbios da sexualidade como impotência precoce e frigidez.
v) Bloqueadas na afetividade e na sexualidade. Algumas têm dificuldades em manifestar carinho, para elas um abraço, um beijo, um afago requer um esforço sobre-humano.
Gatilhos que costumam desencadear o processo
- Na atualidade a parcela da população que corre mais risco, são os que se aposentam - especialmente os que se aposentam cedo e não criam objetivos de vida de troca interativa em seqüência. Isolam-se.
- Adoram TV porque não os obriga a raciocinar, pois não gostam depensar para não precisar fazer escolhas ou mudanças.
- Avarentos de afeto e carentes de trocas afetivas quando não podem vampirizar os parentes, deprimem-se escancarando as portas para adegeneração fisiológica e principalmente para os processos obsessivos.
Nessa situação degeneram com incrível rapidez, de uma hora para outra.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Meu Medo

 (Con)viver com palavras não é fácil, principalmente se a nossa necessidade de palavras for uma ânsia. Às vezes fica difícil saber se habitamos as palavras ou se são elas que nos habitam. Esse atrito cruel entre presença e fuga, controle e descontrole, compreensão e incompreensão. Mas o melhor de tudo é que, por mais que doa, e dói muito, a coisa toda é muito prazerosa. Penso que escrever é nos atrevermos, corajosamente, à arqueologia do espelho.

Hoje entendo claramente o meu medo. Simplesmente medo, aversão às imperfeições do espelho, de confrontar com a lucidez cristalina da materialidade da palavra a obscuridade da intimidade mais funda aflorada na trama da nossa escrita, do nosso texto. Quando escrevemos nos tornamos um prato cheio para a voracidade do bom leitor, aquele que lê nas entrelinhas, nos silêncios, nos não-ditos, na intenção que se entortou no meio do caminho e contornou a pedra, a nossa fragilidade toda à flor da palavra que mais confirma quanto mais se nega...


Texto de autoria de Cida Almeida/GO, blog  OVERMUNDo.