domingo, 17 de novembro de 2013

de volta ao circo romano

Um linchamento total nas redes sociais  dos sentenciados do mensalão, que coincidentemente até agora são todos ligados ao partido dos trabalhadores. 
Não sou a favor de nada que descaracterize a justiça. 
Patéticos, pseudos politizados fazendo gracejos e piadas com um fato de tanta importância. Acredito que todos, mas, todos mesmo, tem que pagar por atos não probos, por atos contrários a moral político-administrativa e tudo que ultrapasse os direitos dos cidadãos, mas brincar com a historia de vida das pessoas é ultrajante e obsceno.
Quem nunca errou? eles erraram e vão pagar pelo erro, da forma determinada pela justiça. 
E aquele que está fazendo e postando  piadinhas?  
o que fez até hoje pelos direitos dos cidadãos brasileiros?
muitos nem levantaram a bunda do sofá, nem para pagar impostos, que é um dever cidadão, nem sequer trabalharam para saber o peso do suor e da luta diária para ganhar o sustento.
Fiquem sabendo que alguns  mensaleiros apresentam histórico de luta que conquistaram direitos aos brasileiros. 
Direitos estes que hoje a justiça utiliza para sentencia-los e a mídia usa para veicular as notícias. 
De forma alguma acho que eles não devam pagar pelo que fizeram, mas o que me causa revolta é a maneira desrespeitosa de alguns.
Me lembra  os antigos circos romanos onde a platéia gritava histérica por sangue, enquanto abaixava o dedo polegar. 
Isto é  revoltante e desumano. Antes de criticar ou postar abobrinhas, reflita sobre sua própria vida politica e pública, nunca cometeu nenhum ato que merecia desabono?, agora reveja o que proporcionou para os brasileiros em forma de luta...
Se ainda achar que deve criticar ...

sábado, 16 de novembro de 2013

MAMA ÁFRICA

 Na África, a água já foi elemento de discriminação racial quando, na época do apartheid só os brancos podiam ter acesso a ela. 
 Segundo um cálculo de volume dos aquíferos, realizado por um grupo de pesquisadores coordenado pelo hidrogeólogo Alan MacDonald, do Serviço Geológico Britânico (BGS, na sigla em inglês) e publicado na revista científica "Environmental Research Letters", sob as areias e terras africanas, jazem mais de 500 mil quilômetros cúbicos de água.Se estes recursos hídricos - equivalentes a 100 vezes a quantidade superficial de todo o continente - fossem aproveitados racionalmente, aliviaria-se um dos grandes problemas da África. 
Segundo relatório das Nações Unidas, a escassez de chuvas afetou neste ano mais de 10 milhões de pessoas no Chifre da África (África oriental) ,formado pela  Somália, a Etiópia, o Djibouti e a Eritreia,  causando uma grave crise alimentícia e o aumento dos índices de desnutrição. Além das mortes a que a cada ano a África assiste aos milhares devido a mazelas relacionadas à falta de água potável e de higiene e saneamentos adequados, a seca e a sede nas zonas rurais e urbanas têm um impacto devastador na vida da população, especialmente a feminina. Já que culturalmente neste local é a mulher que é a responsável pela captação de água para a família. Devido as longas jornadas as meninas não podem frequentar a escola. Na opinião de Alan MacDonald, as grandes bolsas de líquido descobertas no subsolo "poderia aliviar a situação de mais de 300 milhões de africanos que não têm água potável e melhorar a produtividade dos cultivos".
           
          Quando vejo algo assim imagino a quantidade de empresas multinacionais, empresas nacionais africanas,empresários, magnatas, executivos idiotas tipo "rei do camarote"  espalhados pelo mundo, enriquecendo,empanturrando de consumismo desenfreado,  tendo com plano de fundo a morte a miséria destes seres humanos, onde lhes faltam o mínimo digno necessário para sobreviver - á água. 
Enquanto isso o cenário é catastrófico para aqueles que por um acidente  nascerem geograficamente, abaixo da linha do equador e com a cor  negra.
Apenas  porque delimitados por uma barreira geográfica e pela pobreza, nem sequer merecem o investimento de terem água para matar a sede. No continente vizinho se refastelam em champanhe, por serem mais bem nascidos. 
Se a África foi o berço da civilização, que filhos desnaturados são estes? Viram as costas para a mãe e deixam seus irmãos morrerem sem dignidade humana alguma. 
Que mundo é este que apenas financiam o que rende dinheiro para acumular, comer e beber  muito e ter câncer mais tarde, ou morrer envenenado pelo ódio. Incapazes de financiarem tecnologia para matar cede de crianças africanas.
Ando cansado deste mundo!!! 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Narciso, o muro amarelo e narcisação

flor de narciso

Contam que ele nunca voltou, na verdade ele sempre esteve aqui.
Veio ao mundo sob as águas de janeiro, um ser andrógino, tinha a beleza alva de quem não queria nascer.
Logo se apaixonou pelas montanhas e o verde das matas, na adolescência foi perseguido por bandos de sagitários cruéis e invejosos da sua inteligência e beleza. 
Por isso, nunca se deixou abater, continuou guerreiro de grandes batalhas. 
A batalha mais sangrenta que quase lhe levou a vida, vinha das próprias entranhas. 
Ele a denominou como AUTOCONHECIMENTO
Por um tempo teve que partir para outras montanhas e águas, para aprender o ofício da guerra. 
Ele o denominou como CONHECIMENTO
Abatido lembrou   "É que Narciso acha feio o que não é espelho ".
Voltou vencedor, trazendo na bagagem o cálice e a serpente,  que agora, segundo suas convicções mais íntimas, era devido compartilhar com aquela montanha que sempre amou, não importando com os sagitários cruéis. 
Foram anos de luta armada, enfrentando o medo, a doença, as sombras da maldade, a iniquidade, a orfandade, lutou até quase esvair as forças. Ele denominou TRABALHO.
Viu por algum momento raios de sol que iluminavam onde havia a escuridão e o abandono. 
Ele denominou IDEAL.
O que ele nunca saberia,  é que um mago tinha lhe tirado a magia da miopia.
E ele  olhou as montanhas refletidas nas águas. 
Tudo era podre, e via todos como sagitários cruéis.
Ao contemplar a montanha e seu povo,  sua unidade rompe-se: o que era um parte-se em dois. 
É arrastado para fora de si. 
O que ele viu? a realidade.
Onde estava o ideal de si ? E lutou para não perder essa imagem. 
Sua posição reclinada   para baixo e sua anterior miopia não permitia  ver a vastidão do horizonte, deixou-o envolto em si mesmo. 
Por isso a visão que teve  era  ínfima. 
Mas a imagem ideal refletida na mente era inalcançável, isso o levou à ruína como punição por não conseguir trazer para si a imagem desejada.
Ele jamais foi o mesmo, Só  lembrava do eco do seu próprio berro a aparvalhar a mente.
Se recolheu ao abrigo do muro amarelo, ficou a  debruçar na fonte de Téspias para beber água e cultivar  flores, amarelas, narcóticas e estéreis. 



narciso
Se recolheu a solidão porque ele se perdeu na sedução da imagem da montanha. 
Não queria mais assumir responsabilidades sociais, enfrentar desafios, a realidade, as desilusões. 
Foi contemplar seu eu. 
Mas, Não há risco zero na vida.









terça-feira, 12 de novembro de 2013

Darin recusa Tarantino





Ricardo Darin é uma persona  impar no  meio dos famosos, em várias ocasiões provou estar acima do seu tempo. Tempos em que valores no meio profissional se torna uma busca desenfreada pelo "up" a qualquer preço, onde o poder aquisitivo nunca está dentro dos padrões do desejo. Para tanto, grande parte destes profissionais sujeitam ir na contra mão de ideais e pensamentos que foram cristalizados  com a própria realidade, com a realidade do país, da cidade e da família que viveram.  Segundo Freud  "o caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver"  Darin se exorcizou de todos os cliques da glória hollywoodiana e da possível indicação de um "Oscar", que para ele pelo menos não deve ser glória, ou por outro lado teria um preço muito alto a pagar - o seu caráter, se Freud estiver realmente certo, imagino como são meritórias as pessoas que o cercam.
Confiram a entrevista:


Entrevistado em setembro no late show argentino Animales Sueltos, o ator e também argentino Ricardo Darín me sai com essa:
Fantino: É verdade que você recusou uma oferta para filmar em Hollywood com Tarantino?
Darín: Sim, é.
F: E por quê?
D: Porque me ofereceram o papel principal mas eu teria que fazer um traficante mexicano. E eu perguntei ao produtor por que os mexicanos sempre tem que fazer os traficantes se os maiores consumidores em nível planetário são os ianques.
F: E o que ele respondeu?
D: Bom, a resposta que ele me deu me incomodou tanto que confirmou minha escolha de não filmar com Tarantino. Me disse “Então é uma questão de dinheiro. Diga quanto você quer que pagamos. Você coloca o preço”. Quer dizer, não podem chegar a ver nem a compreender que existem códigos fora do dinheiro que alguns de nós temos… entende?
F: Mmm… não, na verdade não.
D: Como não? Ale, você é esperto, tem que entender o que falo…
F: Mas você poderia ter ganho mais dinheiro.
D: Mais dinheiro? Ser milionário? Pra quê?
F: Como pra quê? Pra ser feliz.
D: Feliz com mais dinheiro? Do que você está falando?
F: Bom, todos queremos ter mais dinheiro pra ser felizes.
D: Ale, eu tenho dinheiro, tenho um carro importado de alto nível. Como o que quero no café da manhã, no almoço e no jantar, e posso tomar dois banhos quentes por dia. Você tem ideia de quantas pessoas no mundo podem tomar dois banhos quentes por dia? Muito pouca gente, entende? E como eu não me considero um excelente ator, sempre digo a mim mesmo que foi por pura sorte, entende? Nesse mundo capitalista selvagem eu sou um cara de muita sorte. Eu sou um privilegiado entre milhões de pessoas. E mais, eu tenho a sorte de poder ver isso em mim, o que me permite ter uma boa conta bancária e não acreditar nela. Eu posso me ver de fora e dizer “Puta, que louco, que sorte você teve”.
F: Mas você filmaria em Hollywood… e não pode negar que do Tarantino ao Oscar seria um pulo…
D: Acho que eu não sei me explicar direito… eu já estive na cerimônia do Oscar e não gostei, tudo é de plástico dourado, até as relações entre as pessoas. Fui, aproveitei, mas esse mundo não é o meu, não é o que elegi nessa vida.

maria callas


a árvore





chego a chorar na sua frente
tamanha majestade
sofre ao vento quando broto
ao sol um castigo sem a chuva
suporta tudo para ser
a sombra
nada pede
apenas a vida o verde .
o medo
o machado
a lenha
o fogo
aquece quem o feriu
até a morte.
sem mágoas
sem águas
não sou
tenho muito a aprender.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Náusea da terra



Eu vi os coronéis.
Coronel e coronelzinho só
Títulos à pagar e dívidas no Banco.
Da terra não sobrou quase nada,
Apenas botina e a aba do chapéu.
Já arrogância!
e a mania de enganar pobre.

Eu vi herdeiros coronéis
Ao redor da mesa.
 Estavam cheios de cerveja e merda.
Cabelos e pelos prateados,
A mesa arrotava hipocrisia.

Eu vi os coronéis.
até a morte,
Um dia voltarão para a terra  
E ela ofendida, cheia de vômitos
Vingará.

Eu vi os coronéis.
- a metamorfose.
Novos velhos  pequenos,
Eu vi
Assim como a terra humilhada
Senti nojo de ver
Eu vi, Eu vi...