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quinta-feira, 17 de março de 2011

A caixinha de alabastro


Tenho mania de levar para minha sala de trabalho tudo que me faz lembrar pessoas que eu amo ou acontecimentos agradáveis. A aproximação com estes objetos me faz sentir em casa. E assim, toda vez que eu tenho que mudar de sala uma verdadeira mudança me aguarda, entre as bugigangas uma caixinha de alabastro é especial.


SCO, 42 anos, paciente do CAPS, portadora de esquizofrenia paranoide, perguntou-me certo dia:


Que utilidade teria aquela caixinha?  Brincando com a pergunta, disse que era para alguém levar as alianças, no dia do meu casamento - ela apertou a caixinha no peito, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.


– Tenho um vestido, cor de rosa, rodado e de renda, combina com a cor da caixinha;


Compreendendo a intenção, disse a ela – Teria enorme prazer em ter você como minha madrinha de aliança no dia do meu casamento. Porém esse dia pode demorar muito ou nunca chegar.


Ela me encarou com seus olhos grandes e insanos, abriu um sorriso enorme na sua face corada e gorda,


– Eu sempre quis ser madrinha de aliança, é a coisa mais linda que você poderia me oferecer.


Era tarde para eu dizer que tudo era brincadeira.


Desde esse dia ela entra na minha sala como de costume olha a fonte de água sobre a mesa, olha para caixinha e diz docemente:                  você precisa casar ...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Experências Lindas 2



OBS: são experiências com pacientes portadores de sofrimento mental durante tratamento no Centro de Atenção Psicossocial de Monte Sto. de Minas

Sou SLN nasci em Monte S. de Minas

Tenho 37 anos

Meu Pai é LMN

Minha filha é M

Sou aposentado

Pago pensão

5 min. Depois

Sou SL nasci em Monte S. de Minas

Tenho 37 anos

Meu Pai é LMN

Minha filha é M

Sou aposentado

Pago pensão

10 min. Depois

Sou SL nasci em Monte S. de Minas

Tenho 37 anos

Meu Pai é LMN

Minha filha é M

Sou aposentado

Pago pensão

15min. Depois

Quem eu sou mesmo?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Experiências lindas

[caption id="attachment_455" align="aligncenter" width="300" caption="Escultura de Jason Decaires Taylor - Museu submarino "][/caption]

Como dizia (John Dryden) "Há na loucura um prazer que só os loucos conhecem."

OBS: são exepriências com pacientes portadores de sofrimento mental durante tratamento no Centro de Atenção Psicossocial de Monte Sto. de Minas


No meio de um dia pesado de trabalho chega “M”1 na minha sala retira um embrulho do bolso “tome um sonho de valsa,  faz sonhar e sonhar é tudo que resta” 1- ("M" é paciente do CAPS Rosalino, João de Paixão de Monte Santo há 2 anos.)

“J” 2 chega até mim, e diz quero desabafar – “Vim de São Paulo, morava no Morumbi com meus filhos, a convite de um casal mudei para cá, trouxe um diário que contém informações que podem acabar com todos desta cidade, resolvi te poupar porque você trabalha muito e precisamos de você.” 2- ("J" é paciente do CAPS Rosalino, João de Paixão de Monte Santo há 2 anos.)

Perguntei a “JR”3: Você trabalhava, estudava, estava noivo, quando começou a sentir algo diferente em sua vida que o trouxe até aqui? “Foi quando tive uma doença no olho, acho que era infecção, o médico receitou um colírio, conforme eu ia pingando o líquido ele puxava meu cérebro para dentro do vidro. Hoje não tenho nada dentro da cabeça sou oco. Mas tudo isso teve uma vantagem, nunca mais fiquei doente.”3- ("JR" é paciente do CAPS Rosalino, João de Paixão de Monte Santo há 1 ano.)