Muitas saudades contidas e vivas ...
o dorso da língua te procura nas
noites que você nunca vem...
Olhos úmidos revelam a distância
toda vez que vai embora.
Passo a contar os dias.
O desejo explode num gozo de todos os sentidos.
Muitas saudades contidas e vivas ...
o dorso da língua te procura nas
noites que você nunca vem...
Olhos úmidos revelam a distância
toda vez que vai embora.
Passo a contar os dias.
O desejo explode num gozo de todos os sentidos.
O bloco de anotações amarelo ao lado do telefone lembra-me a proximidade entre os convites e os endereços...
Porque não lembrar do amarelo solar, era noite?
mas o brilho estava nos olhos dos amantes.
A cueca cinza do outro lado da porta lembra-me a ausência de banhos e o corpo destituído e nu.
Hipnotizado pelo desejo dos viajantes o vermelho encarna e entoa ruído indecifrável.
Os lençóis brancos em cima dos movimentos lembram-me a fusão do azul com o verde.
tempo, tempo, tempo...
agora o azul é só azul e o verde é só verde.
...Cansa ser, sentir dói, pensar destruir.
Alheia a nós, em nós e fora,
Rui a hora, e tudo nela rui.
Inutilmente a alma o chora... (fernando pessoa)
a hora
rola na cadeira de reclinar
a despedida
suporta a ausência
a mente nebulosa
dorme ao som da luz do metal
o sorriso complacente ainda vive a espera da volta
os dias param de passar
esperam amordaçados na hora
ora a hora nunca mais.
"acontece que o desejo de não estar sozinho bate de repente. A gente quer sair. E foi nesse lugar de desejar estar junto que, me parece, aconteceu a metamorfose..." Rubem Alves
eu entendo sim
seu sentimento entrou
e mudou o que era solidão
o que era certeza
o que estava predestinado
seu sentimento teimoso...
seu sentimento chegou e inundou um coração árido
que quase morre afogado de emoção e que tem medo
medo de amar
medo de ser amado
medo da vida
medo de mim
como se fosse proibido sentir
perder de vista
apenas tocar na distância
não sentir
tanto querer
você nunca vai entender.
noites úmidas
sentir a falta de ter
você nunca vai entender
roçar dos dedos e
ouvir a voz que enche o ar
você nunca vai entender
acreditar no amanhã de ontem
e ver –se frente a frente
nós
]você nunca vai entender.
que pena !!!
pena de nunca entender.
Em 1881 quando Degas exibiu sua bailarina, foi um escândalo na sociedade parisiense, queriam manda-la pra o museu de zoologia ou de anomalias humanas, consideravam a escultura com olhar obsceno, o formato do rosto foi comparado aos piores bandidos e assassinos daquela época.
O artista levou para dentro dos salões de arte um espécime de olhar atrevido, moldado em cera e composto de tecido e cabelo humano(materiais inéditos e considerados vulgares), retratava de forma crua, uma jovem esquálida, de aproximadamente 14 anos de feições não nobres.
O artista escandalizou quando mostrou de forma realista e nua a hipocrisia dos poderosos que ao financiavam as artes dos balés se beneficiavam com a prostituição infantil das bailarinas.
127 anos depois no sul das Américas, crianças esquálidas, de semblantes morenos, com menos de 14 anos são leiloadas para satisfação do turismo sexual dos europeus. São pequenas bailarinas e malabaristas de instrumentos torpes, são dançarinas da quadrilha dos poderosos degenerados.
São nossas pequenas meninas, de olhares atrevidos.