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segunda-feira, 28 de março de 2011

Previdência


Mesmo que ainda sejam mãos
Agradecem.
Mesmo esquecidas
Ainda prontas.
Pelo árduo trabalho, curvas, tortas,
Porém, acolchoadas com a sabedoria dos tempos.
Calos endurecidos pelas memórias ,
Brilham ao som do terço de perolas rotas.
Memórias novas são esquecidas
Guardando o rosto dos ingratos e imaturos governantes.
Feliz deles que não envelhecem nunca.
Apenas esquecem...
Um dia virá o tempo encharcado  de ira
Que em roucas mãos trarão novos moços.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

TENTAÇÃO (Salete Gurgel)


Me arrasto.
Encosto.
Mal vejo.
Bocejo...


É quente,
saliente,
latente
o desejo...


Não quero.
Não posso.
É vero
o ensejo...


Disfarço.
Refaço.
Cansada,
revejo...


Ao sabor
da sorte
não luto,
velejo!

domingo, 29 de março de 2009

essência


Somos folhas tortas nascidas de cedros antigos e imperfeitos no olhar, mas mesmo assim foi eles que nos deram a vida.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

bons sonhos

tenha bons sonhos com a lua e ismael lô.


"não quero sonhar com a lua


quero sonhar com você


dormindo no meu peito


puro como um anjo  e tentador como um daimon...a me provocar"


 

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

a hora





...Cansa ser, sentir dói, pensar destruir.
Alheia a nós, em nós e fora,
Rui a hora, e tudo nela rui.
Inutilmente a alma o chora... (fernando pessoa)



 


a hora


rola na cadeira de reclinar


a  despedida


suporta a ausência


a mente nebulosa


dorme ao som da luz do metal


o sorriso complacente  ainda vive a espera da volta


os dias param de passar


esperam amordaçados na hora



 ora a hora nunca mais.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pena


perder de vista


apenas tocar na distância


não sentir  


tanto querer


você nunca vai entender.


 


noites úmidas


sentir a falta de ter


você nunca vai entender


 


roçar dos dedos e


ouvir a voz que enche o ar  


você nunca vai entender


 


acreditar no amanhã de ontem


e ver –se frente a frente  


nós


]você nunca vai entender.


 


que pena !!!


pena de nunca entender.  


 

sábado, 12 de julho de 2008

Pesoa


 


A poesia é triste


A poesia existe.


Quando o poeta é feliz


A poesia peca.


Quando tudo arde de paixão


Sinto as palavras irem para longe.


Já dizia Pesoa


Só existe poesia na angústia


Desculpe-me poeta maior


Que morra a poesia


Estou feliz com meu amor

terça-feira, 17 de junho de 2008

Verde


A mata pariu no meio do seio vermelho
iluminado dia de outubro que trouxe para mim ?
foi a brisa que caiu da árvore molhada de rio
verteu para o meu peito temperado de rosa
veio com os pés quentes de menino dourado
aqueceu minha nuca gelada
de neve da solidão
mexeu com meu sangue
ardeu o meu sexo
regou minha vida
fez-se verde

quinta-feira, 12 de junho de 2008


Quando me encara com essa boca


fico azul amarelado


me acompanha por entre a  multidão


e eu só solidão


escoro na parede molhada


encurto o caminho da volta


vou desvirtuando a noite


por entre as gargalhadas da rua


chuto o cão e viro  a lata


dou graças e te perdôo


mais uma vez.


Queria a tua distância


que me violenta e me castra


da felicidade


do encanto


de  ter sua boca


que me encara e não suplica. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Expurgo do tempo

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preciso de horas,


deitar e ouvir


o cochicho do tempo,


sentir,


sem chorar,


voltar.


pegar o ar com a boca


e falar,


dissimular a dor,


abrir o passo,


entrar,  


beber,


e compor


versos,


mesmo que sejam tarde.


ainda vou ver


a claridade da aurora


nascer


do tumulto ridículo de ser


um dia


de cada vez.


 


 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Felicidade

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To de olho em você


faz muito tempo,


vou  perseguir


até que os dias sejam brancos e


meus olhos estejam frios.


infiel estrada.


arde os pés cortados de pedras,


não mostram o tempo


ultrajante.


um dia


vou ver tua cara.


respirar seu hálito.


penetrar na sua entranha


molhada.   


mesmo que pra isso


tenha que mudar meu nome,


esconder do tempo,


mascarar pra te valer.


Então lapidar sua fronte,


enxergar sua arrogância de


nunca me ver.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Retrato


segredos.jpg

eram pontos escuros salpicados no branco do papel.




as imagens já desmaiadas,


não apresentavam formas definidas.


a lembrança desata o nó,


da infância a juventude,


o tempo encorajou,.


a inocência se perdeu,


o vento ressecou,


o amor maltratou.


onde está o olhar


iluminado como manhã de sol?


perdido de nunca ter,


nublado de tanto ser,


guardado de nunca estar.


se Deus me desse poder,


faria renascer o querer,


só para ver


como pássaro voar.



segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Perfeição - por André Pinheiro


bruegel-a_queda_dos_anjos_rebeldes.jpg






perfeição


  


jogo fora tudo que é perfeito. padrozinado, limpo, reto.


moralmente abençoado, benquisto, sacramentado.


fodam-se as regras do governo.


renuncio ao bem-aceito e aproveito para


convidar: vamos celebrar o imperfeito!


sou o fruto podre, a rima pobre, a grana pouca.


comigo carrego a inexatidão da miopia, o mais


impróprio improviso, a falha na percepção. o golpe


brutal, o dobrar das pernas, o inexorável tombo


e o beijo na lona. a boca seca, a tontura da ressaca,


o desencanto de um pênalti perdido. a merda no calçado,


o tropeção. o xeque-mate me persegue. sou


o eterno vice-campeão, participante desolado da segunda divisão.


sou profeta do caos, amante do erro, padroeiro


do infortúnio. repudio a precisão, digo não a todas


as virtudes. faço-me ouvir na nota errada


do músico amador; na voz estridente do cantor


desafinado. sou o palavrão, o mau-cheiro, o antibelo.


desilusão, desdita. o beijo negado, o amor


não-correspondido; a pele escura, a celulite, a cicatriz,


a flacidez. a palavra mal-escrita, o erro na pontuação.


a fala fanha, a calvície, o aleijão.


vagabundo, anti-herói, anjo torto, cicerone


do inferno. palhaço, matuto. andarilho coxo, malabarista


trêmulo. não tenho pátria, língua, religião. nada


me pertence, nada me conduz, nem me consola.


sou a amnésia, avesso da história. destruição.


do mundo sou a escória. caminho de mãos dadas


com o vício, a falência, a perversão. no bolso esquerdo


levo pragas, tempestades. pesadelos, viração.


mensageiro da incerteza e do fracasso,


exerço a minha fúria no parar de um coração.


não é muito bom estar aqui. sinto-me desonrado


com a vossa companhia.


muito desprazer, pode me chamar Imperfeição.


Achei o poema muito bom e  pedi ao andré pinheiro para publica-lo. Obrigado André.

do bolg  http://vivaverve.wordpress.com/



                            


                                  

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

amigo

11.10.07


amigo





anjos_processo.jpg 


…. Todas as palavras foram ditas,


na canção, no hino, na despedida …


muitas esquecidas na lápide,


outras ainda ecoam pelos ouvidos de quem não ouviu …


balbuciadas em noites de encantamento ou acariciadas em dias de temor, perda e consternação …


Sei que muitas ficaram e interagiram, perpetuaram o amor.Fraternal e indecente…


Mas tudo são palavras … e palavras já foram ditas.


O que fazer então?


Dou-te um beijo e um abraço forte e não digo nada.


Apenas o silencio interrompe o quanto a te dizer…


Edson meu amigo do coração FELIZ ANIVERSÁRIO.

domingo, 14 de outubro de 2007

Solidão



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Solidão
A manhã desponta, consciência
alucinada pelo ato profícuo do amanhã.
Nada mudou.
O anão que pesava no peito, carbonado agora,
alimenta-se da luz como se fosse o gelo da noite.
Preciso de ar.
Noite e dia completam o ciclo,
Puta que pariu que solidão.
Preciso de ar.
Inalo a dor.
Fumo um cigarro.


sábado, 13 de outubro de 2007

Mentiras



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Mentiras (09/10/07)


A dor é a esperança de ser, de sentir e não ter sido.


Ledo engano ... 


O  que possa ter levado a crer.


Estarei pronto até a metade do fim.



sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pessoa


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Autopsicografia



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
                                                    Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Os Ombros Suportam o Mundo


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Carlos Drummond de Andrade



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

para meu amor

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.. sinto seu querer, urgente e sem fronteiras... dor que não passa... água que não esfria. Estou aqui. O tempo  me presenteou com a paciencia do encontro. O momento é pleno de inocência e tesão. Te adoro meu amor