segunda-feira, 28 de março de 2011
Previdência
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
TENTAÇÃO (Salete Gurgel)
domingo, 29 de março de 2009
essência
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
bons sonhos
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
a hora
...Cansa ser, sentir dói, pensar destruir.
Alheia a nós, em nós e fora,
Rui a hora, e tudo nela rui.
Inutilmente a alma o chora... (fernando pessoa)
a hora
rola na cadeira de reclinar
a despedida
suporta a ausência
a mente nebulosa
dorme ao som da luz do metal
o sorriso complacente ainda vive a espera da volta
os dias param de passar
esperam amordaçados na hora
ora a hora nunca mais.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Pena
perder de vista
apenas tocar na distância
não sentir
tanto querer
você nunca vai entender.
noites úmidas
sentir a falta de ter
você nunca vai entender
roçar dos dedos e
ouvir a voz que enche o ar
você nunca vai entender
acreditar no amanhã de ontem
e ver –se frente a frente
nós
]você nunca vai entender.
que pena !!!
pena de nunca entender.
sábado, 12 de julho de 2008
Pesoa
A poesia é triste
A poesia existe.
Quando o poeta é feliz
A poesia peca.
Quando tudo arde de paixão
Sinto as palavras irem para longe.
Já dizia Pesoa
Só existe poesia na angústia
Desculpe-me poeta maior
Que morra a poesia
terça-feira, 17 de junho de 2008
Verde
A mata pariu no meio do seio vermelho
iluminado dia de outubro que trouxe para mim ?
foi a brisa que caiu da árvore molhada de rio
verteu para o meu peito temperado de rosa
veio com os pés quentes de menino dourado
aqueceu minha nuca gelada
de neve da solidão
mexeu com meu sangue
ardeu o meu sexo
regou minha vida
fez-se verde
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Quando me encara com essa boca
fico azul amarelado
me acompanha por entre a multidão
e eu só solidão
escoro na parede molhada
encurto o caminho da volta
vou desvirtuando a noite
por entre as gargalhadas da rua
chuto o cão e viro a lata
dou graças e te perdôo
mais uma vez.
Queria a tua distância
que me violenta e me castra
da felicidade
do encanto
de ter sua boca
que me encara e não suplica.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Expurgo do tempo
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Felicidade
To de olho em você
faz muito tempo,
vou perseguir
até que os dias sejam brancos e
meus olhos estejam frios.
infiel estrada.
arde os pés cortados de pedras,
não mostram o tempo
ultrajante.
um dia
vou ver tua cara.
respirar seu hálito.
penetrar na sua entranha
molhada.
mesmo que pra isso
tenha que mudar meu nome,
esconder do tempo,
mascarar pra te valer.
Então lapidar sua fronte,
enxergar sua arrogância de
nunca me ver.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Retrato
eram pontos escuros salpicados no branco do papel.
as imagens já desmaiadas,
não apresentavam formas definidas.
a lembrança desata o nó,
da infância a juventude,
o tempo encorajou,.
a inocência se perdeu,
o vento ressecou,
o amor maltratou.
onde está o olhar
iluminado como manhã de sol?
perdido de nunca ter,
nublado de tanto ser,
guardado de nunca estar.
se Deus me desse poder,
faria renascer o querer,
só para ver
como pássaro voar.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Perfeição - por André Pinheiro
perfeição
jogo fora tudo que é perfeito. padrozinado, limpo, reto.
moralmente abençoado, benquisto, sacramentado.
fodam-se as regras do governo.
renuncio ao bem-aceito e aproveito para
convidar: vamos celebrar o imperfeito!
sou o fruto podre, a rima pobre, a grana pouca.
comigo carrego a inexatidão da miopia, o mais
impróprio improviso, a falha na percepção. o golpe
brutal, o dobrar das pernas, o inexorável tombo
e o beijo na lona. a boca seca, a tontura da ressaca,
o desencanto de um pênalti perdido. a merda no calçado,
o tropeção. o xeque-mate me persegue. sou
o eterno vice-campeão, participante desolado da segunda divisão.
sou profeta do caos, amante do erro, padroeiro
do infortúnio. repudio a precisão, digo não a todas
as virtudes. faço-me ouvir na nota errada
do músico amador; na voz estridente do cantor
desafinado. sou o palavrão, o mau-cheiro, o antibelo.
desilusão, desdita. o beijo negado, o amor
não-correspondido; a pele escura, a celulite, a cicatriz,
a flacidez. a palavra mal-escrita, o erro na pontuação.
a fala fanha, a calvície, o aleijão.
vagabundo, anti-herói, anjo torto, cicerone
do inferno. palhaço, matuto. andarilho coxo, malabarista
trêmulo. não tenho pátria, língua, religião. nada
me pertence, nada me conduz, nem me consola.
sou a amnésia, avesso da história. destruição.
do mundo sou a escória. caminho de mãos dadas
com o vício, a falência, a perversão. no bolso esquerdo
levo pragas, tempestades. pesadelos, viração.
mensageiro da incerteza e do fracasso,
exerço a minha fúria no parar de um coração.
não é muito bom estar aqui. sinto-me desonrado
com a vossa companhia.
muito desprazer, pode me chamar Imperfeição.
Achei o poema muito bom e pedi ao andré pinheiro para publica-lo. Obrigado André.
do bolg http://vivaverve.wordpress.com/
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
amigo
11.10.07
amigo
…. Todas as palavras foram ditas,
na canção, no hino, na despedida …
muitas esquecidas na lápide,
outras ainda ecoam pelos ouvidos de quem não ouviu …
balbuciadas em noites de encantamento ou acariciadas em dias de temor, perda e consternação …
Sei que muitas ficaram e interagiram, perpetuaram o amor.Fraternal e indecente…
Mas tudo são palavras … e palavras já foram ditas.
O que fazer então?
Dou-te um beijo e um abraço forte e não digo nada.
Apenas o silencio interrompe o quanto a te dizer…
Edson meu amigo do coração FELIZ ANIVERSÁRIO.
domingo, 14 de outubro de 2007
Solidão
Solidão
A manhã desponta, consciência
alucinada pelo ato profícuo do amanhã.
Nada mudou.
O anão que pesava no peito, carbonado agora,
alimenta-se da luz como se fosse o gelo da noite.
Preciso de ar.
Noite e dia completam o ciclo,
Puta que pariu que solidão.
Preciso de ar.
Inalo a dor.
Fumo um cigarro.
sábado, 13 de outubro de 2007
Mentiras
Mentiras (09/10/07)
A dor é a esperança de ser, de sentir e não ter sido.
Ledo engano ...
O que possa ter levado a crer.
Estarei pronto até a metade do fim.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Pessoa
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
para meu amor
.. sinto seu querer, urgente e sem fronteiras... dor que não passa... água que não esfria. Estou aqui. O tempo me presenteou com a paciencia do encontro. O momento é pleno de inocência e tesão. Te adoro meu amor