sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Síndrome de Burnout
A paciente H foi atendida no CAPS com quadro de depressão, stress e idéias de auto-extermínio, baixo autoestima, crise repentina de choro, irritabilidade exacerbada – Hipótese diagnóstica Síndrome de Burnout.
Faxineira, compulsiva com a limpeza do ambiente de trabalho, acha que somente o seu trabalho é perfeito, age com cinismo quando fala dos companheiros de trabalho. Apresenta insônia, ansiedade e relata estar sobrecarregada com responsabilidades familiares, sic (assumo problemas de todos, marido, filhos e mãe idosa, no trabalho só eu faço o serviço que precisa ser feito, deixo um pedaço de papel em lugar estratégico para ver no outro dia se a outra faxineira limpou aquele local, ela nunca limpa).
H tentou furar os olhos com uma tesoura, porém não teve coragem, cortou os próprios cabelos de forma violenta e desarmônica. Sic (queria furar os olhos para não ver ninguém, queria não enxergar mais, para não ter o que fazer mais nada).
O fato querer furar os olhos e cortar o cabelo nos traz a idéia de ela querer mudar seus hábitos, descansar da perfeição autodeterminada, não assumir a posição de administradora familiar nem do excesso de zelo no trabalho.
O termo síndrome de Burnout resultou da junção de burn (queima) e out (exterior), caracterizando um tipo de estresse ocupacional, durante o qual a pessoa consome-se física e emocionalmente, resultando em exaustão e em um comportamento agressivo e irritadiço. “Boa parte dos sintomas também é comum em casos de estresse convencional, mas com o acréscimo da desumanização, que se mostra por atitudes negativas e grosseiras em relação às pessoas atendidas no ambiente profissional e que por vezes se estende também aos colegas, amigos e familiares”
Parte dos pacientes que o procuram atendimento médico com depressão são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional, um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (profissionais da saúde, professores e outros).
O transtorno está registrado no Grupo V da CID-10.
Sintomas:
O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.
Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar associadas à síndrome.
Observação:
No CAPS em um ano foram atendidos três motoristas de ambulância, duas servidoras de serviços gerais, uma Agente Comunitária de Saúde do quadro funcional municipal da área da saúde, e tudo leva a crer que são portadores da síndrome de burnout.
Esta doença é mais comum que imaginamos, infelizmente é de difícil diagnóstico por parte dos Clínicos, que geralmente tratam as conseqüências sem ver necessariamente a causa.
terça-feira, 26 de abril de 2011
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
A Loucura de não ser louco
“Temo que tudo isso acabe de uma hora para outra e eu volte ao hospital, aqui eu me encontrei.”
“Eu não vou internar vou?”
“Quando no hospital eu me sentia um lixo humano, não tinha nome nem cor, nem sapato. Eu perdi o meu nome”.
“Gostaria de esquecer de tudo, mas não consigo.”
(Depoimentos de pacientes do CAPS - 2010)
Iniciou com Dr. Pinel o batalha contra a internação e o isolamento da loucura. Século XXI e ainda constato as cicatrizes mentais, impossíveis de desaparecer, nos pacientes ex-internos, convivem diariamente com a nódoa provocada pela negação da sua individualidade, pela mortificação total dos seus desejos e anseios e o pior, da sua liberdade de exprimir os sentimentos. São degredados que foram perdidos em um pesadelo químico, indefesos das ações de violência e da covardia do tratamento manicomial.
Utilizam-se como estratégia para o entendimento, a separação temporal das diversas interpretações da loucura, porém, ela está presente na íntegra até os dias atuais. Nós ainda somos testemunhas do preconceito construído neste trajeto a contramão da humanidade e estamos longe ainda de viver sem eles. Ouvimos diversos profissionais da saúde e familiares de pacientes analisando o “sofrimento mental” como faziam antes de Cristo ou na idade média.
A loucura ainda precisa ser revista nos conceitos humanos, precisa ser deliciada com a convivência das diversas nuanças humanas, evidenciada por entes especiais, solidários e portadores de belezas infinitas.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
situação
Da janela do quarto a chuva derrama a lama, no berço alguém que já chorou adormeceu e calou. Vejo o cotidiano listrado da veneziana empoeirada desconheço o que sou porque algo transgrediu meu corpo. Não quero conversa nem amigos, não quero dor. A chama apagou no copo, cheira fuligem. Os órgãos reclamam o inóspito gosto da luz. Olho as paredes do quarto, idílica clareira de cipós entrelaçados como no pensamento, sigo a força vital, do nada surge o desgosto, adormeço, acordo e me empanturro.
O estomago dói , o corpo dói a alma está partida, vejo claramente a dualidade uma agacha sobre o tapete azul e a outra transborda o que se foi, levanta e vai trabalhar.
domingo, 29 de março de 2009
essência
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Fevereiros
Me perco no
Rosnar da dor.
Destino humano.
Achar
O sentido do prazer.
Dias chuvosos.
Água espalhada no banheiro,
Descansar na sala sem sofá.
Me achar
E rachar de rir.
O destino me trouxe você
E você descansou em mim.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Pena
perder de vista
apenas tocar na distância
não sentir
tanto querer
você nunca vai entender.
noites úmidas
sentir a falta de ter
você nunca vai entender
roçar dos dedos e
ouvir a voz que enche o ar
você nunca vai entender
acreditar no amanhã de ontem
e ver –se frente a frente
nós
]você nunca vai entender.
que pena !!!
pena de nunca entender.
domingo, 20 de julho de 2008
A Bailarina
Em 1881 quando Degas exibiu sua bailarina, foi um escândalo na sociedade parisiense, queriam manda-la pra o museu de zoologia ou de anomalias humanas, consideravam a escultura com olhar obsceno, o formato do rosto foi comparado aos piores bandidos e assassinos daquela época.
O artista levou para dentro dos salões de arte um espécime de olhar atrevido, moldado em cera e composto de tecido e cabelo humano(materiais inéditos e considerados vulgares), retratava de forma crua, uma jovem esquálida, de aproximadamente 14 anos de feições não nobres.
O artista escandalizou quando mostrou de forma realista e nua a hipocrisia dos poderosos que ao financiavam as artes dos balés se beneficiavam com a prostituição infantil das bailarinas.
127 anos depois no sul das Américas, crianças esquálidas, de semblantes morenos, com menos de 14 anos são leiloadas para satisfação do turismo sexual dos europeus. São pequenas bailarinas e malabaristas de instrumentos torpes, são dançarinas da quadrilha dos poderosos degenerados.
São nossas pequenas meninas, de olhares atrevidos.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Verde
A mata pariu no meio do seio vermelho
iluminado dia de outubro que trouxe para mim ?
foi a brisa que caiu da árvore molhada de rio
verteu para o meu peito temperado de rosa
veio com os pés quentes de menino dourado
aqueceu minha nuca gelada
de neve da solidão
mexeu com meu sangue
ardeu o meu sexo
regou minha vida
fez-se verde
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Quando me encara com essa boca
fico azul amarelado
me acompanha por entre a multidão
e eu só solidão
escoro na parede molhada
encurto o caminho da volta
vou desvirtuando a noite
por entre as gargalhadas da rua
chuto o cão e viro a lata
dou graças e te perdôo
mais uma vez.
Queria a tua distância
que me violenta e me castra
da felicidade
do encanto
de ter sua boca
que me encara e não suplica.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
retornável e descartável
retornar um dia seria um erro.
retornar é voltar e sentir de novo
o cheiro da flor, o travo da jabuticaba verde
o mistério de caçar casulo
andar descalço no quintal de pedra
e sentir a dor da picada de abelha no pé
retornar é ressurreição
é restauração de coisas que foram ruins
das pancadas na cabeça, das migalhas da sua mesa.
retornar é sentir sede e a garganta seca
é se perder até não poder
é suar de tesão no meio do bambuzal.
retornar é voltar a ter medo
de cá do muro
ornado da cruel tortura
da idade infame.
retornar é ouvir o eco do berro
do xingo
dos meninos da escola.
retornar é arrancar a ruga
é não querer voltar nunca.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Mãe
fabricar o ser, torna o vínculo anímico.
o desconforto
dores
são esquecidas no momento da troca dos olhares
entre a cria e a criadora.
no meio de porcarias, cheiro desagradável, choros intermináveis,
noites mal dormidas e a insegurança da criação,
nasce a correspondência e a cumplicidade dos dois seres.
amor materno.
o homem
traz em si a invídia natural o vazio maternal,
jamais algo tão intenso, irracional, imortal, atemporal
irá somar.
o quanto igual a você eu queria ser, eu queria ter.
terça-feira, 8 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Vampiro
insana noite
me lembrou as de Cabíria.
Massinas e Fellinis desfilavam
na íris azul borracha, contornada pelo preto escorrido
nas entranhas
o desejo torpe
negros, dementes
pinceis fálicos
ardiam em riste
na moldura
era tudo ou nada
implorava
entre câimbras e unhas
pés e pêlos
alarmante cheiro ferormônico de bunda
movimentos, olhares e bocas
dentes e sobrancelhas
línguas desvendavam o porre
lençóis freáticos fluíram
na flor murcha do ontem
