domingo, 18 de janeiro de 2009

cabo chuva

tarde em Búzios


É esse o nome que dei a cidade de Cabo Frio, trancado no apart. por dois dias tive a oportunidade de traçar esse post e deu para sentir porque o nome “cabo frio”, até comprei uma blusa de lã. Por sinal, presente do marco que ficou penalizado de ver meus dentes baterem uns aos outros. Mas tirando o frio e a chuva, foram quatro dias de sol, com direito a bloqueador número 30, chapéu e guarda sol. Nesta vida tudo se aprende, jamais imaginei passar as quatro estações do ano em uma semana, no estado do Rio de Janeiro. Para sentar na praia 5,00, para ficar sob o guarda-sol + 10,00, para fazer pipi são 3,00 e para tomar banho de água doce é grátis, mas não acha em praia alguma um chuveiro  para tirar o sal do corpo. Ah... Para estacionar o carro na rua são 4,00.


Foram dias mágicos, Armação de Búzios é apaixonante, foi lá que curti o dia 7, dia em que Deus disse “hoje vai nascer “o cara””. Um pasto de degustação de frutos do mar, em um simpático arraial a beira mar. Lá comprei meu São Francisco que dei de presente a minha sala, meu local de trabalho. Falando em trabalho lembrei dos nativos cabo-frienses... Tudo lá funciona depois de horas... O Forte só abre para visitação depois das quatro da tarde,  a lanchonete fecha a tarde, a pizzaria só a noite e assim vai indo. Comentei com meus companheiros de viagem, que horas será que praia abre para os banhistas... Mas foram dias mágicos, até esquecemos que teríamos que sair da pousada no sábado ao meio dia, tivemos que fazer as malas e descer para portaria em 5 minutos, lembrados com ênfase pela recepcionista simpática como uma professora russa. Depois foi só ir para rodoviária trocar as passagens, pois compramos todas para o domingo. Mas foram dias mágicos...


 

domingo, 14 de dezembro de 2008

apenas um causo

vitrola1



Chico do mato viveu no século passado, lá no canto das Minas Gerais, criatura polêmica, era admirado por uns e odiado por outros. Chico adorava comer carne de porco, nunca de boi, dizia que o boi era de Deus, morava com a mulher no bairro das Perobas, lugar distante da cidade e onde o progresso ainda não havia chegado, fora o trabalho o que mais gostava de fazer era ouvir sua vitrola. Eles não tinham filhos, diziam que Maria era maninha e não podia criar. Nos domingos lavava o pé com sabão de cinza, cortava as unhas e navalhava as barbas e o bigode, colocava água de cheiro, ia até o armário da cozinha, pegava de traz da panela de ferro de três pés o litro da cachaça de salinas, coisa preciosa que tinha ganhado de um antigo patrão. Tomava duas boas talagadas e guardava a preciosidade, colocava o disco bolachão do Cascatinha e Inhana e começava a sonhar. Sonhava com dias de chuva, de lavoura verde, pés carregados de café e o pasto cheio de gado. Só acordava quando a mulher o cutucava para o almoço. Em uma segunda-feira, era verão de 67, Chico acordou de mau jeito, 5 horas da manhã e o galo não havia cantado, pulou da cama de palha e foi lavar o rosto na bica do terreiro, passou pela cozinha, o fogão a lenha estava apagado, em 23 anos de casado nunca tinha acontecido tal pirraça, procurou pela mulher por 7 dias e 7 noites, percorreu toda redondeza, ninguém tinha visto nem rasto. A desgraçada havia levado todas as galinhas, dois porcos castrados, o cavalo e a égua, três garrotes e o que tinha de mantimentos, só ficou o cachorro vital. Chico ficou desolado, não entendia o feito, Maria era mulher de respeito, nunca queria ir à cidade, era devota de São Benedito, nunca falava alto. Aquilo só podia ser coisa do diabo. Foram anos difíceis, sem a mulher para ajudar na lida, parecia que a diaba tinha levado toda a sorte, teve chuva de vento e geada, as vacas que sobraram não pariram, até a queimada do vizinho entrou pelas terras lambendo quase todo o cafezal. Chico nunca mais foi à cidade, vivia apenas com a companhia do cachorro vital, tinha vergonha de olhar nas pessoas, não vendia nem comprava nada. Foi num dia de domingo santo que o compadre Bernardino entrou na cozinha de Chico, bateu nas suas costelas magras e disse “Chico, eu sei onde a Maria está”. O sofrido homem foi achar a mulher a três cidades adiante, ela trabalhava de lavadeira em um bordel e tinha um amigado preto de nome Benedito. Só depois de ter enfiado a faca no cabra até o cabo, lembrou que era o vendedor de santo que passava na roça. Maria ficou amarrada vendo o Chico matar o preto, de um só golpe cortou o pescoço da mulher. Chico foi preso dois dias depois, sentado na cadeira de sua cozinha, ainda sujo de sangue. O cachorro vital acompanhou seu dono ate a cadeia e lá na porta ficou ate sair seu caixão. Contam que até hoje a meninada da escola, leva a sobra da merenda para um velho cão, de nome vital, no portão do cemitério de uma pequena cidade das Minas Gerais.

domingo, 30 de novembro de 2008

Reflexão

criacao_michelangelo





“... Sou o novo, sou o antigo


Sou o que não tem tempo


O que sempre esteve vivo


Mas nem sempre atento


O que nunca lhe fez falta


O que lhe atormenta e mata


Sou o certo, sou o errado


Sou o que divide


O que não tem duas partes


Na verdade existe ...”


Mal necessário (Mauro Kwitko)


 

domingo, 16 de novembro de 2008

mesa de chá




  

gota20em20vermelho


Ainda era madrugada


O velho ainda não dormia


Pensava no vento, na lanterna vermelha que tremulava na varanda


Presságio ! uma visita...


acender o fogo.


Encheu-se de ânimo,


cambaleou até o fogão a lenha.


As brasas adormeciam no frio.


Um sopro.


e uma chama abotoou no graveto de lenha


tempo, vento, vapor...


o coração doía, 


tirou a poeira do serviço de chá.


já era madrugada


e o velho ainda não dormia ...


apenas uma xícara suja ficou esquecida na mesa.


 


 

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Jardim do edem

anjo


Palavras eram ditas, gestos eram declinados, ela não sentia, não ouvia, apenas olhava como se fossem apenas gestos, apenas palavras.


Alguma pessoa uma vez disse “cuidado com quem muito sofre, o sofrimento anestesia a alma”.


docilmente alguém falava que o tempo é o melhor remédio para todos os males. Com os olhos perdidos no teto, lembrava da maçã vermelha nas mãos sujas da menina marina. As unhas pretas de terra seguravam a fruta com tanta força... Levava aos dentes pequeninos, lascavam, mascavam, degustavam com tanta fúria e gozo que não existia nada no mundo que pudesse tolher aquela cena. Ela tinha olhos de girassol, ela tinha boca de beijo.


Por um momento o tempo parou, gargalhadas foram ouvidas, os olhos parados ainda continuavam no teto, reprovação e espanto,  o som do riso deu lugar a um berro lancinante que varria o silêncio da alcova.


Marina voou, voou... nunca mais voltou... quem encontrar é favor me avisar ... ela é toda amarelinha ...  o meu pobre passarinho.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

às moscas

moscas

Para aqueles que pensaram que este modesto blog está às moscas, digo que não, apenas me encontro em estado de reflexão para uma próxima temporada de posts.

Me faltam idéias as vezes, mas nunca deixo de vir conferir minhas obras, o botica do anjo está bombando em média de 70 a 120 visitas por dia.

Me aguardem ...

domingo, 14 de setembro de 2008

poema dos 3 meses



Muitas saudades contidas e vivas ...


o dorso da língua te procura nas


noites que você nunca vem...


Olhos úmidos revelam  a distância


toda vez que vai embora.


Passo a contar os dias.


O desejo explode num gozo de todos os sentidos.