segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Mercadoria de Luxo (por eneida marques)

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Pois é, fico até constrangida em escrever em um blog tão chique, 


tão  preocupado com questões estéticas enquanto eu, cada vez mais,


enquanto envelheço, volto-me para o que há de essencial nas coisas -


esteja exposto ou não, seja claro ou escuro, bonito ou feio.


 



Algo sobre o que andei pensando foi o roubo - e posterior resolução,


 pela polícia - dos quadros do Masp, ainda bem! Quando aconteceu, eu


tinha acabado de ver em dvd o filme ' Saneamento básico' do Jorge


Furtado( que aliás recomendo) E nesse filme somos confrontados


 com aquestão: o que é mais importante, termos produtos da cultura


ou termos sanamento básico, neste país?


 



Quando soube que os quadros  foram roubados do MASP, tive a


sensação dolorosa de que havia perdido um amigo, parente...alguém


muito querido.  Pois bem, mais  tarde, ao ser (pseudo?) informada


sobre os detalhes e circunstâncias do roubo e de como foi a sua


 resolução e, ainda, poder prever de até onde irão as prisões, achei que


algo assim só poderia acontecer aqui mesmo. Assim como aquela tela


do trabalhador só poderia ser do Portinari e o fato de o próprio Masp


 ser o filho dileto do Chateaubriand e ter sido erigido sobre os despojos


 de uma guerra...Uma coisa está visceralmente ligada à outra: nós só


  temos os produtos culturais que temos porque temos o esgoto que


temos....Fico com pena dos ladrões que agora estão presos: como o


 lavrador de café, foram apenas instrumento para que alguns poucos


possam fruir de uma arte cada vez mais "privada", objeto de ecoração,


 mercadoria  de luxo.

Felicidade

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To de olho em você


faz muito tempo,


vou  perseguir


até que os dias sejam brancos e


meus olhos estejam frios.


infiel estrada.


arde os pés cortados de pedras,


não mostram o tempo


ultrajante.


um dia


vou ver tua cara.


respirar seu hálito.


penetrar na sua entranha


molhada.   


mesmo que pra isso


tenha que mudar meu nome,


esconder do tempo,


mascarar pra te valer.


Então lapidar sua fronte,


enxergar sua arrogância de


nunca me ver.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Brinde Crotálico


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 no dia número um explode o champagne,


brindamos a esperança de dias melhores,


confraternizamos.


pessoas queridas sempre faltam, os que já foram, os que ainda aguardam por chegar e outras que nunca vem.


a cada doze meses tudo termina e se inicia.


há quarenta e seis anos assisto esse desenho animado  inacabado,


ratos, patos e margaridas saindo do velório do velho e indo ao encontro do nascimento do novo, e no dia número sete sinto a dor ...


metamorfose... nascer  mais um guiso na minha calda crotálica.


Quarenta e sete velinhas serão apagadas bem depois do recém-nascido dar a primeira gargalhada e treze dias depois do Santo ter nascido na estrebaria.


fazer o que,  comemorar com água e limão parece a alternativa.


foi muito peru com tender.


No meio de cólicas abdominais, vômitos distritais, cortes e mais cortes no orçamento doméstico e ressacas mil,


digo: love-me tender baby.




 







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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Retrato


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eram pontos escuros salpicados no branco do papel.




as imagens já desmaiadas,


não apresentavam formas definidas.


a lembrança desata o nó,


da infância a juventude,


o tempo encorajou,.


a inocência se perdeu,


o vento ressecou,


o amor maltratou.


onde está o olhar


iluminado como manhã de sol?


perdido de nunca ter,


nublado de tanto ser,


guardado de nunca estar.


se Deus me desse poder,


faria renascer o querer,


só para ver


como pássaro voar.



segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Delírio da alegria

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 não paro de ouvir
que tudo que escrevo é melancólico,
fazer algo up é o plano.
inalar o riso dos tristes,
desatar de tanto rir,
 estar numa boa é
comprar Q.boa no empório,
chegar perto Ozório,
ouvir piada no velório,
fungar na nuca do Juca,
não pagar a conta nunca,
ouvir a voz da wanderléia,
comer geléia com o dedo sujo,
tirar o mofo da puta,
dizer que nunca houve outra igual.
mas pra que rir tanto?
logo
Contar a conta no vermelho do banco,
misturar com eunucos sem ficar puto,
mover oceano de merda
para chegar na frente do pior e
dizer adeus.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

sozinho

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A palavra que os ouvidos diziam,


desmemoriar, deletar


o sacrossanto privilegio de não esquecer.


raios que escureciam,


tinha gosto de jornal.


o dia era cinza,


se perdia na excomunhão do deus prozac.


fazia se perder.


sentia saudade de não ver o obvio,


tudo era  sólido e sem alma.


o olho insone fixava sua imagem que distorcia


e contorcia como calidoscópio preto e branco.


os pés tateavam a sensação gelada e lodosa


do fundo do poço.


lembrou da mão do homem abjeto,


objeto da dor,


O Tempo, Tempo, Tempo


trouxe luz.


devolveu  a sanidade,


a convalescença.


loucamente os humanos são dotados de poder.


a alegria reagia com a incrustada cadeia de fosfato,


chegou  a imensa felicidade de estar só,


a liberdade de ser,


o poder de estar incólume a seu nome.


Você não é nada,


só é  dor que passou.   

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

É Natal


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Já é natal. 


Não posso me conter.


em volta da mesa pessoas se juntam em nome do peru, do abacaxi da pinha,


dormem enfastiados, vomitam e peidam para os que nada tem.


sorrisos e choros de crianças mal criadas,


nunca se satisfazem com o que traz o  velho gordo.


outras adormecem sobre o estômago oco,


sonham com altdors cheios de sorrisos e presentes vermelhos,


andam pelas ruas no ritmo dos sinos que os fazem lembrar que foram esquecidas.


solitários, trôpegos e famintos margeiam o canal procurando o pasto,


burros e jegues sopram e aquecem o prato vazio,


a estrela sumiu no meio da fumaça de veneno.


reis negros e brancos trocam tiros no bar da esquina delimitando o território.


Meu Deus !!!!!!!!!!!!!!!!


esqueceram o menino.